sábado, 22 de maio de 2010

Em uma certa noite...

Abriu os olhos, a luz do sol quase a deixou cega, preferiu fecha - los de novo... Com os olhos fechados, tentava se lembrar do que havia acontecido na noite passada... Abriu os olhos novamente... Dessa vez mais devagar, deixou que as vistas se acostumassem com o dia claro. Levantou - se vagarosamente e sentou na cama, olhou tudo a sua volta, não se lembrava de nada... Na boca, o gosto de ressaca, musica alta, dança, uma noitada e tanto...
Enfim levantou, sentiu sua cabeça rodar, viu o quarto rodar, sentou - se na cama de novo, respirou fundo, e enfim, levantou de vez.
Caminhou lentamente até o banheiro, tentou evitar o espelho, mais não resistiu a olhar... Seu rosto estava péssimo, seu cabelo estava péssimo, totalmente o contrario da lembrança vaga que agora vira em sua cabeça do que havia acontecido na noite passada... Soltou os cabelos, que corriam os ombros, não se preocupava com nada apenas sentia a massagem na cabeça, que a escova de cabelo fazia, e em seguida deslizava até o final do comprimento de cabelo, prendeu - o novamente, abaixou o rosto aproximando se mais da pia, e abriu a torneira, juntou as mãos e as levou até debaixo d'agua, com elas cheias, levou - as ao rosto, fazendo com que o corpo todo ficasse arrepiado com o choque, de agua fria, rosto em chamas... Enxugou - o querendo livrar se daquele frio que a penetrava os poros... Soltou os cabelos novamente, terminou sua higiene, e finalmente saiu do banheiro... Voltou ao quarto, sem se preocupar com o que vestir, colocou apenas um blusão branco, e permaneceu de chinelos... Desceu as escadas, entrou na cozinha, onde apenas a mãe tomava café. Ao ver a filha naquele estado decadente, olhou pra ela com cara de decepção, e perguntou por que estava assim. Ela não se preocupou em responder, e não respondeu. A mãe desistiu da primeira pergunta, decidiu perguntar a filha que horas ela havia chegado, logo questionado que ela havia de chegar em um certo horário. A filha riu - se por dentro e pensou no que havia feito, chegado em casa quatro horas mais tarde do que a mãe havia pedido, chegou em tamanho silencio que a mãe nem havia percebido a hora; então olhou pra mãe e fez que sim com a cabeça, afirmando que havia chegado na hora em que a ela havia mandado...
Sentou se a mesa, pegou apenas um suco, bebeu - o vagarosamente, a mãe já havia saído de casa, sem nem dizer pra onde ia, mais, ela também não queria saber.
Subiu para o seu quarto novamente, deitou na cama, ficou olhando pro teto, conseguia agora se lembrar de um rosto, e de uma voz, uma voz maravilhosa, e do gosto de um beijo, um beijo que partia daquela mesma voz, daquele mesmo rosto, daquela pessoa, na qual ela não lembrava o nome... Pegou o celular, e abraçou - o fez um esforço pra tentar lembrar - se do nome do dono daquele rosto, daquela voz, daquele beijo.
E que rosto...
E que voz...
E que beijo!
O celular começou a tocar, fazendo - a despertar daquele sonho, ela olhou pra tela, era um numero desconhecido... Quando atendeu, uma voz invadiu seus ouvidos, tímpanos, chegou ao cérebro fazendo - a mergulhar na lembrança do rosto e do beijo, e a voz, a voz era aquela, aquela era a voz dona do rosto e do beijo...
Agradeceu mil vezes a Deus aquela ligação, agradeceu a qualquer criatura aquela ligação... Agradeceu, algo que talvez, ela não tivesse tanto costume de fazer...

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